Primeira aula da Especialização marca o início da formação com reflexões sobre o futuro do SUS

Primeira aula da Especialização marca o início da formação com reflexões sobre o futuro do SUS

A Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS) teve início com o episódio inaugural do podcast “Iniciando a Jornada pela Saúde Digital”, conduzido pela Prof.ª Dr.ª Francenilde Silva de Sousa. A produção, disponibilizada pela UNA-SUS/UFMA, marca o começo de uma trilha formativa que pretende preparar profissionais do SUS para compreender e aplicar as tecnologias digitais em seus contextos de atuação.

Logo na abertura do episódio, a mediadora Camila Cantanhede dá as boas-vindas aos ouvintes e apresenta a convidada, destacando a relevância do tema. “O termo Saúde Digital está cada vez mais presente nas políticas públicas e nas discussões sobre o SUS”, introduz Camila, apontando o pano de fundo da conversa. A professora Francenilde, pesquisadora em Saúde Coletiva e autora do módulo introdutório da formação, assume a fala para esclarecer o conceito e a importância da digitalização na saúde pública brasileira.


Um novo olhar sobre o conceito de Saúde Digital

A professora inicia explicando que a Saúde Digital vai muito além do simples uso de tecnologias, representando uma mudança na forma de pensar e praticar o cuidado. “Podemos considerar o conceito apresentado tanto pelo Ministério da Saúde quanto pela Organização Mundial da Saúde”, afirma, ressaltando que o objetivo é melhorar a saúde das pessoas e reconfigurar a relação entre usuário e serviço.

Ela destaca o termo “metapresencialidade”, explicando que, mesmo a distância, o cuidado permanece próximo do paciente quando se valorizam dimensões cognitivas, sociais e afetivas. Essa visão mostra que o digital não substitui o humano — ele amplia o alcance do cuidado e fortalece o vínculo entre profissional e usuário.


As origens e os marcos da Saúde Digital no SUS

Em outro momento, Francenilde contextualiza o surgimento da Saúde Digital no Brasil. Segundo ela, o marco regulatório dessa transformação remonta à Portaria nº 589, de 2015, que instituiu a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde. “Embora tenha ganhado força com a pandemia de covid-19, a Saúde Digital já vinha sendo estruturada há anos dentro do SUS”, explica.

A professora cita ainda a criação da SEIDIGI (Secretaria de Informação e Saúde Digital), dentro do Ministério da Saúde, como um avanço importante para a governança do setor. Além disso, menciona a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), responsável por permitir que diferentes sistemas dialoguem entre si, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garante direitos e deveres quanto ao uso das informações pessoais em ambiente digital.


Da teoria à prática: o SUS conectado

A conversa avança para exemplos práticos de como as tecnologias digitais já fazem parte da rotina dos serviços públicos de saúde. A professora lembra que muitos profissionais “praticam a Saúde Digital sem perceber”, citando como exemplos:

  • o uso do SIAPS (Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde) nas Unidades Básicas;
  • o uso de tablets nas visitas domiciliares, facilitando o registro e acompanhamento das famílias;
  • e sistemas de gestão hospitalar, como os que controlam estoques de medicamentos e materiais.

Francenilde ressalta que a Saúde Digital está presente em todos os níveis de atenção, envolvendo desde profissionais assistenciais até gestores e equipes de tecnologia da informação. “A Saúde Digital é aplicada por diversos profissionais, e todos fazem parte desse ecossistema”, afirma.


Os desafios ainda existentes

Apesar dos avanços, a professora reconhece que o caminho ainda exige superações. “Infelizmente, ainda existem desafios que precisam ser enfrentados”, comenta. Entre eles, cita:

  • a falta de infraestrutura e conectividade, especialmente em regiões mais distantes;
  • a necessidade de formação técnica e digital para profissionais do SUS;
  • a interoperabilidade entre sistemas, que ainda é limitada;
  • e a segurança da informação, ponto sensível no manejo de dados sensíveis de pacientes.

Ela destaca que o Programa Saúde Digital, implementado pelo Ministério da Saúde, busca justamente corrigir essas lacunas, promovendo ações práticas e financiáveis, adaptadas à realidade local.


Capacitar para transformar: o papel da formação

Ao longo do diálogo, a professora Francenilde reforça o papel estratégico da formação dos profissionais. Ela explica que o curso foi desenvolvido para formar protagonistas da transformação digital no SUS, incentivando autonomia, equidade e inovação.

Entre as tendências e expectativas apontadas estão a expansão de tecnologias emergentes, como inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, além da inovação colaborativa — o desenvolvimento conjunto de soluções digitais com base em experiências compartilhadas.

“Esperamos que essa transformação gere um SUS mais acessível, conectado e humano, que valorize o autocuidado e o protagonismo do usuário”, afirma Francenilde.


Uma mensagem de engajamento e esperança

Encerrando o episódio, a professora deixa um convite inspirador: “Engajem-se na transformação digital, valorizando o papel de cada profissional como sujeito ativo nesse processo. Vejam a Saúde Digital como uma ferramenta de qualificação do cuidado, alinhada aos princípios do SUS e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

A mediadora encerra com uma reflexão que sintetiza o espírito da aula inaugural: “A Saúde Digital é para todos e está em constante construção. Explore, reflita e contribua com um SUS mais conectado, inclusivo e resolutivo.”


Um novo tempo para o cuidado

O episódio “Iniciando a Jornada pela Saúde Digital” inaugura oficialmente as atividades da Especialização em Saúde Digital no SUS, e cumpre seu papel de provocar reflexão e engajamento. Ao apresentar a trajetória, os desafios e as perspectivas da área, o conteúdo mostra que a transformação digital não é apenas tecnológica, mas cultural e humana.

Como sintetiza a mensagem final da professora Francenilde, a inovação deve caminhar lado a lado com o cuidado, a equidade e o compromisso com a saúde pública. O futuro do SUS passa pela digitalização — mas, acima de tudo, pela valorização das pessoas que constroem o sistema todos os dias.


📅 Podcast disponível em: Canal da UNA-SUS/UFMA no YouTube
🎧 Episódio: Iniciando a Jornada pela Saúde Digital
👩‍🏫 Convidada: Prof.ª Dr.ª Francenilde Silva de Sousa
🎙️ Apresentação: Camila Cantanhede

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